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Três Graças

Kelzy Ecard mostra que coadjuvante também pode ser protagonista

Não existe papel pequeno na televisão, como diria Alexia Máximo, personagem fictícia de Deborah Secco na novela Salve-se Quem Puder!. E de fato, um bom texto atrelado à atuação, à entrega e ao domínio de cena do ator é a confirmação absoluta dessa máxima. Um exemplo recente e, muito contundente é o da atriz Kelzy Ecard, que vem se destacando como a misteriosa e maquiavélica Helga em “Três Graças”.

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    A personagem surgiu quando a novela já estava encaminhada, com a missão clara de movimentar a trama principal, especialmente no núcleo da casa de Arminda, vivida por Grazi Massafera. E sua entrada foi, no mínimo, assertiva. Helga chegou silenciosa, envolta em mistério, mas rapidamente se tornou peça-chave. A personagem, que carrega uma aura enigmática, segue nos presenteando com cenas fortes e momentos que já podem ser considerados icônicos. Vide a sequência em que a cuidadora de Josefa, interpretada por Arlete Salles, ajuda Arminda a ocultar o cadáver de Célio, personagem de Otávio Muller, após ele ser jogado escada abaixo. Uma cena de tensão pura.

    Kelzy continua conduzindo sua Helga com precisão e inteligência. E fez o público entrar em verdadeiro choque quando começaram a circular comparações entre Dequinha, de Todas as Flores, e a atual Helga. Personagens completamente distintas e, defendidas de forma igualmente irretocável. A atriz veste cada uma com verdade, sem repetir gestos, sem recorrer a vícios, provando versatilidade e maturidade artística.

    Outro detalhe que merece destaque é o fato de Kelzy estar simultaneamente em duas produções. Em “Dona Beja”, ela vive a beata Augusta; em “Três Graças”, a sombria Helga. Duas mulheres com energias opostas, duas construções distintas, e em ambas a atuação é simplesmente visceral.

    Kelzy Ecard e sua Helga representam exatamente aquilo que já foi pontuado: mesmo sendo um personagem coadjuvante, há valorização, há densidade e há impacto. Nenhuma cena em que ela está passa despercebida. Pelo contrário, tudo é aproveitado. E o resultado é o verdadeiro show que vemos quando a novela está no ar.

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